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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Como fazer Freestyle (Parte 4) (Freestyle: um estilo de vida)

Bem, voltando ao principal motivo pelo qual criamos o blog... Antes de mais nada, quero deixar bem claro que essa série não vai te ensinar a fazer freestyle e que também não sou o Fodão do Freestyle ( pelo contrário rs). O objetivo dessa série é reunir materiais, depoimentos e experiências de pessoas que fazem freestyle. Para fazer freestyle, primeiro você tem que organizar suas idéias.

Agora vamos ao Post:

Encontrei por acaso esse Documentário no youtube e acho que da para vocês pegarem algumas dicas (não vou ficar explicando, pois ele é muito auto-explicativo):

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Em entrevista, Louie Vito fala sobre sua amizade com Yelawolf

Louie Vito, um snowboarder americano olímpico, fala sobre o Yelawolf em uma entrevista. Veja abaixo:

Qual a música ou artista que você mais curte no momento?

"Eu sempre tenho uma fase. Mas no momento, venho escutando o Yelawolf."

Somos grandes fãs do Yelawolf aqui, então.

"É, nós praticamos snowboard algumas vezes. Eu o levei à Colorado (EUA) durante o natal e depois fomos para Utah (Um estado ao lado do Colorado). Ele praticou um pouco de snowboard e estava muito animado. É bem legal ter um artista que você escuta praticando seu esporte."

Como você se envolveu com ele?

"Ele era amigo do Rob Dyrdek e do Fantasy Factory, então eu o vi algumas vezes no verão. Ele estava em uma turnê com o Wiz, veio à Utah e eu falei com ele. Depois nos vimos por aí. Nós temos os mesmos amigos em comum. Eu conversei com ele sobre o snowboard e eu tinha uma festa da X Games, onde ele se apresentou. Faz mais ou menos um ano e meio à dois anos que o conheço. Eu escutei músicas dele do passado, e ver o quão grande ele se tornou é incrível, pois ele continua a mesma pessoa. Seus shows são fantásticos. Eu odeio ir à um show onde o artista está cantando e, no meio da música, fala com alguém. Seus shows são muito bons e bem legais de se ver. Ele está conseguindo muitos fãs agora."

A Shady fez um grande negócio em assinar com ele.

"Ninguém vai querer fazer nada contra a Shady Records. Ninguém deve dizer nada sobre eles. Você não pode com eles. Com o Slaughterhouse, Eminem e Yelawolf lá, ninguém irá sobreviver. Todos precisam calar suas bocas."

Atualmente, Yelawolf está trabalhando na EP Slumdon Bridge, em parceria com o cantor Ed Sheeran. O projeto de quatro faixas será lançado na próxima semana, então fique ligado.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

BONS DO RAP: MC VNS (ENTREVISTA)


Hoje a equipe do Bons do Rap entrevistou o MC VNS. MC, mentor, beatmaker... Doidera... Se liguem aí:
BDR: A quanto tempo você faz rap, tipo por que rap?

VNS: eu fiz minhas primeiras rimas em 2006, com 14 anos, mas não era nada a serio. então eu comecei de verdade no rap só em 2009, comecei a gravar uns sons bem caseiros. o rap me conquistou, nunka pensei em fazer outro tipo de musika. gosto de rock, de soul e funk antigos, de samba até, mas o ritmo do meu coração é rap.

BDR: Você já tem algum trabalho lançado? Mixtape, single?

VNS: tenho alguns sons na internet, clipe no youtube, duas mixtapes lançadas, a Pronto Pra Guerra, de 2009, e a 21 Dias de 2011. tudo até esse momento foi produção bem caseira, mas feito totalmente de coração.

BDR: E quais seriam tuas influências, o que te inspira, o que te instiga a escrever?

VNS: minha vida me inspira, eu canto o que vivo, o que esta a minha volta. meus problemas e conquistas, minhas duvidas e certezas. musica deve sempre ser algo pessoal, feito de coração, e se as pessoas gostam é porque se identificam. existem aqueles momentos em que eu quero mandar uma direta pra alguem, ou apenas demonstrar a indignação com determinada situação.

BDR: Quem são seus rappers favoritos, quem são os rappers que você considera mestres?

VNS: Entre os internacionais vou citar 2pac, que pra mim é o melhor de todos os tempos, depois Jay Z, Kanye West, The Game, Ice Cube, Dr. Dre, Chuck D. Enre os nacionais vou citar Emicida, Sabotage, Dexter, MV Bill, Rashid e Mareschal

BDR: Nós temos por exemplo Dr. Dre como mentor do Eminem que posteriormente pode ser considerado de certa forma mentor do 50cent. Então a petgunta, como está sendo pra você ser mentor, o mentor do Shallin KamikazeMan?

VNS: Acho isso exelente, para mim qualquer experiencia que traga aprendizado vale a pena. E eu aprendo muito tentando passar o pouco conhecimento que tenho para alguem.

BDR: Você alguma vez tinha se imaginado mentor, alguma vez achou que chegaria a ser mentor de um outro Mc?

VNS: Eu Nunca me imaginei assim, porque para mim, sou menos mentor, e mais um aprendiz ainda. tenho muito o que aprender. E ajudar alguem a conquistar conhecimento dessa maneira é muito bom para todo o coletivo.

BDR: O que podemos esperar do Shallin KamikazeMan em relação as rimas, as letra, etc?

VNS: Não falta inspiração nas letras do Shall, o que falta é questão de tecnica, algo que se conquista com o tempo. E como uma boa letra é a combinação de inspiração e tecnica, diria que ele esta no caminho certo

BDR: Como está sendo trabalhar na mixtape do Shallin KamikazeMan?

VNS: É sempre bom fazer parte do trampo serio de alguem que se dedica. Estou vendo o Rap crescer nesse trampo, e me sinto feliz de fazer parte

BDR: Pode falar um pouco de como é a experiência de batalhar no Sta Cruz?

VNS: a calsada do sta cruz é sagrada, ver tanta gente junta numa noite de sabado unicamente pelo amor ao rap, pela vontade de ver ou participar das batalhas, todos buscando entretenimento ou evolução, e vendo tudo q ha de novo no rap surgindo e crescendo, gritar com as rimas mais pesadas, ouvir as maiores perolas, não só no sta cruz, mas em qualquer batalha de rap....... isso não tem preço

BDR: E você batalha em outros cantos?

VNS: Batalha da Leste principalmente

BDR: Qual sua visão em relação ao rap nacional e internacional?

VNS: Rap é sempre Rap, não importa aonde. Não gosto de dizer que prefiro um ou outro, porque existe rap gringo bom, e existe rap nacional ruim, não é questão de localidade, é questão de separar o rap de verdade, daquele feito só pra vender no iTunes e virar toque de celular. tem que saber diferenciar quem ta no jogo pelo amor a cultura, e quem ta em busca apenas de bens materiais

BDR: O rap pra você é só um hobby ou existe certa "ambição" em estar entre os grandes?

VNS: não diria ambição, porque é uma palavra que é muito associada as conquistas materias. eu tenho mais é um sonho. eu AMO o rap, quero fazer minha mensagem chegar longe, quero mudar vidas, e quero viver fazendo o que amo.

BDR:Por hora você está preparando algum projeto, tipo um single ou mixtape?

VNS: No momento, ta pra sair o CD "Batalha dos Versos" , produzido pelo celo Pau de da em Doido, que vai ter tres faixas minhas. Tenho uma EP com o DiegoYes, MC e beatmaker da paraiba, que esta pronta, mas sem data de lançamento por enquanto. e claro, to preparando minha Mixtape solo, to fazendo com calma, a ideia é lançar em outubro.

BDR: Certo, você mesmo produz seus sons, os beats e tudo ou costuma usar batidas conhecidas?

VNS: eu sou MC e beatmaker, sou o cara mais chato que voce pode conhecer no mundo quanto a escolha de beatz, sou detalhista. Ultimamente estou evitando ao maximo usar beatz gringos, uso beatz meus, e de beatmakers amigos meus.

BDR: Onde você costuma gravar todo esse seu trabalho?

VNS: o trampo com a Pau de da em Doido foi feito no estudio deles, mas a maior parte aqui eu fassso no meu HomeStudio, que agora posso dizer que esta completo

BDR: Teria algum projeto no momento presente que você gostaria que nossos leitores conferissem?

VNS: Tem para voces a mixtape 21 dias, um dos meus trabalhos mais recentes, serve como previa do que esta por vir http://www.4shared.com/file/Z-FpWvYr/Mixtape_21_Dias.html


Galera essa foi a primeira de muitas entrevistas que estão por vir no blog, esperamos que gostem. A equipe do Bons do Rap agradece ao VNS por nos ceder essa entrevista.
NÃO DEIXEM DE COMENTAR!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Assista @CrioloMC no programa De Frente com Gabi

Criolo foi o entrevistado do programa De Frente com Gabi que foi ao ar na última quarta-feira no sbt.
Em uma entrevista supercompleta, Criolo falou sobre suas carreira, rap e muitos outros assuntos.
Destaque para a resposta quando a jornalista perguntou quais eram os ídolos do MC, em  meio a artistas do MPB, Samba, Criolo sitou Racionais Mc´s e Facção Central.
E do pessoal da nova escola, disse que Projota, Mc Rashid e Rapadura são pessoas especiais.
Assista o programa que já ta no youtube em quatro partes, e o Blog Bons o Rap compartilha aqui:


Créditos: PortalRapNacional

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

50 Cent fala sobre Interscope e fones de ouvido

Durante sua passagem pela Consumer Electronics Show (CES), 50 Cent falou sobre sua linha de fones de ouvido e a frustração com a Interscope. Ele explicou o porquê de ter entrado no ramo dos fones, além de ter justificado suas críticas contra a gravadora.

Isso é uma extensão da minha paixão pela música, ele disse sobre os headphones. Passo mais tempo em estúdio mixando material, me certificando de que a qualidade está boa, do que criando a idéia.


O processo de escrever músicas é mais rápido para mim do que terminar a música, mixá-la, adicionou o líder da G-Unit, que ainda declarou que sua linha de headphones é melhor que a 'Beats by Dre', do mentor Dr. Dre.

Acho que é o melhor som em fones de ouvido sem fio, elogiou.

Sobre sua gravadora Interscope Records, 50 declarou: Eu escrevi o álbum, passei pelo processo de escrevê-lo. Tem sido desanimador não ver o mesmo esforço por parte de todos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dexter: 'Mídia quer criar movimentinho paralelo ao rap' em entrevista ao site da MTV Br

O Rapper fala sobre a realidade do rap nas periferias e dá uma dura na nova cena


Leia a entrevista completa que o rapper Dexter deu ao portal da MTV Br:


2011 acabou e, como todos sabem, o rap desceu a Rua Augusta e escalou a pirâmide social brasileira entre um destaque e outro que começou a cantar temáticas diferentes das que, ao som de Racionais, Sabotage ou 509-E, mobilizavam as favelas há alguns anos. Mas como ficou o movimento que permaneceu na essência da periferia e da luta social? Pra sabermos mais sobre o ano desse rap que foi pouco pautado pela imprensa, procuramos Dexter, ex-509-E, uma das grandes referências do hip hop militante, que lamenta o fato de a mídia ter "usado seus companheiros" Criolo e Emicida, acha o funk "degradante" e acusa os meios de comunicação de tentarem criar um "movimentinho paralelo ao rap combativo". Confira a entrevista abaixo na íntegra.


COMO FOI 2011 PARA O SEU RAP?


Neste ano eu fiz show até umas horas e em toda a rua que eu pisei tinha lá uma multidão me esperando. É claro que faltaram algumas coisas como o disco do Racionais que não veio, apesar de o Brown ter soltado uma música para o filme Marighella que está todo mundo ouvindo na favela, tocando em rádios comunitárias. Mas a verdade é que não teve uma divulgação do nosso rap, não é interessante pra mídia divulgar um show do Racionais, do Dexter, ou de outros que seguem a mesma linha, a não ser que ela vá lucrar com isso."Não é interessante pra mídia divulgar um show do Racionais." CRIOLO, EMICIDA, RASHID...
O Emicida, o Criolo, o Rashid apareceram na mídia porque o rap deles não é tão contestador quanto o nosso. Não estou de forma alguma menosprezando o trabalho dos meus companheiros, mas o nosso rap nunca apareceu e não é feito para aparecer na televisão. Eles são muito bons, inclusive esses dias eu estive com o Emicida, fiz uma participação no show dele, assim como ele já participou de show meu. Só que a mídia está tentando criar um movimentinho do rap e o Emicida e o Criolo não deveriam abraçar essa fita, porque a nossa cultura não é um movimentinho paralelo, é um todo, muito maior do que este que a TV quer criar, que tanto é paralelo que se você perguntar por Emicida na favela, ninguém vai ter idéia de quem é.


NOVOS NOMES


Entre os nomes que se firmaram em 2011 destaco Rosana Bronk's, que tem a ver com a nossa pegada, que faz rap engajado, tem o Nego Jam, do Duke Jam Nação Hip Hop, e o Gregory, do Total Drama, que apareceu bastante esse ano e vem com disco novo em 2012."Destaco Rosana Bronk's, Nego Jam e Gregory." 


FUNK NA FAVELA


O funk é um atrativo. A galera quer se divertir também e não ficar só falando de problema, até porque o rap trata muito disso, de desigualdades, questões raciais e tal, então o funk ocupou um espaço um pouco maior na favela e eu atribuo isso ao fato de a gente não ter um material maior na rua. Talvez não estejam ouvindo tanto rap na rua, mas existe uma grande diferença entre o nosso movimento e o funk, o nosso rap é cultura, o funk é atrativo. E, sinceramente falando, a mensagem do funk pra mim é degradante, ela degenera, os caras não estão nem aí com nada, vangloriam o crime, colocam a mulher como objeto sexual e está tudo certo, é diversão, putaria. Eu tenho vários amigos do funk, respeito, mas não posso legitimar a música dos caras porque vai contra o que eu canto. Eles querem ganhar dinheiro, querem mulher, querem carro, ouro, eu não quero nada disso, você vê que o crime está crescendo e não é isso que o rap prega."A mensagem do funk pra mim é degradante, ela degenera."


PRISÃO


Eu, graças a Deus, ganhei minha liberdade neste ano. Mesmo preso, desde 2008 o juiz estava me liberando pra fazer shows, e agora, com a minha liberdade, estou conseguindo tocar projetos como o 'Como vai ser o Mundo', lá em Guarulhos.


LUTA POLÍTICA


O rap é isso, agora a gente não pode obrigar as pessoas a lutarem também. O rap salva vidas, porque a minha foi salva pelo hip hop, e a geração de 1990 - a minha - mudou a forma de pensar. Hoje, parceiros da minha geração que se engajaram no movimento, ocupam cadeiras importantíssimas dentro da sociedade. Temos o Rappin Hood na 105, o Max B.O no programa Manos e Minas, o Márcio Santos, representando =o hip hop na Secretaria da Cultura de São Paulo, então, quem entendeu a mensagem do rap se deu bem e está aí."Ela [a mídia] prefere mostrar o movimento dos boy pedindo maconha" Se o boy vai pra rua pedir a liberação da maconha, eu acredito que o hip hop jamais vai fazer isso, a gente quer é comida na mesa do nosso povo, que a saúde melhore, que tenha boa condição financeira, e a gente tenta por isso na cabeça do nosso povo com as nossas letras, mas os movimentos sociais da favela a mídia não mostra e ninguém vê. Ela prefere mostrar o movimento dos boy pedindo maconha.Eu acredito que o nosso movimento é de esquerda, é uma cultura de esquerda, e a gente faz o que precisa ser feito dentro da nossa comunidade, e a gente não quer ficar mostrando nada pra ninguém não. Fazemos questão de nós mesmos colocarmos a mão na massa. Estamos fazendo a nossa parte e fazendo a diferença."Se o boy vai pra rua pedir a liberação da maconha, eu acredito que o hip hop jamais vai fazer isso, a gente quer é comida na mesa do nosso povo"


EM COMPARAÇÃO AOS ANOS 90


Hoje nós queremos as mesmas coisas. Algumas a gente conquistou e por isso não estamos batendo na mesma tecla, até alguns estão cantando sobre outros assuntos, mas isso não quer dizer que não estão com a gente na luta. O que pode mudar são os timbres, a batida, a elevada e tal, mas a essência é a mesma.


RAP CAFETÃO


É uma realidade dos gringos, mas agora aqui é outra situação, é outra realidade, eles já passaram pela situação que a gente está passando de valorização da cultura e, inclusive, eu acredito que alguns deles estão voltando a fazer isso agora. É o caso do Snoop Dogg que veio pro Brasil recentemente e disse em reportagem que queria voltar a fazer um rap pra mudar a mentalidade das pessoas, rap que fale de consciência."Rap cafetão é uma realidade dos gringos, mas agora aqui é outra situação, é outra realidade." 


GOVERNO PT


Já melhorou muita coisa, mas a elite sempre dá um jeito de ganhar mais, seja pela corrupção, seja como for. Mas acredito que a favela tem que correr atrás do seu também, tem que estudar, mostrar o seu potencial.A Dilma ainda tem muito pra fazer, mas a gente acredita muito nela. É uma mulher que participou de guerrilhas e conhece o sofrimento do nosso povo. Vamos acreditando até chegar naquilo que a gente acredita ser o ideal, que é a igualdade social. Mas é tudo um processo, como você vai mudar em nove anos uma coisa que demorou 500 anos pra ser construída de forma errada?"A elite sempre dá um jeito de ganhar mais, seja pela corrupção, seja como for."


E 2012?


Produtores de outros segmentos estão dizendo que 2012 é o ano do rap. Este ano nós fizemos muitas coisas, mas nem vai se comparar ao ano que vem que vem o disco do GOG, do Racionais, do MV Bill, a rapaziada escolheu 2012 pra lançar os seus materiais, diferente deste ano que veio pouca coisa nova e o que ficou marcado foram os shows e as trocas de ideias pelo Brasil inteiro.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Projota da entrevista ao site da XXL

 
Veja a entrevista completa:
Colecionador de hits, Projota se sobressaiu em 2011 atingindo marcas impressionantes na Internet e fora dela. Junto com o DJ Caíque da 360 Records, estão lançando uma atrás da outra, e acabaram de gravar um DVD insano em Curitiba, que ele planeja distribuir a preços super-populares mesmo com a qualidade diferenciada do trabalho.
Confira a conversa que tivemos com esse MC.


XXL – Você é fruto de uma nova geração originada na rua, mais especificamente na Batalha da Santa Cruz; Como foi esse começo, houve alguma influência ou partiu de você testar sua habilidade?
PRO-J – Eu comecei a fazer freestyle naturalmente, após descobrir essa arte, passei a desenvolver a habilidade que eu possuia, e quando surgiu a batalha da Santa Cruz, tudo mudou.
Tava la todo sabado, batalhando ou só pra ver meus amigos, depois veio a Rinha dos MCs, e assim foi, sempre aprendendo, estudando, buscando melhorar. A meta sempre foi ser melhor do que tinha sido na semana passada, nem sempre conseguia, mas faz parte da experiência.


XXL – Nessa mesma geração, temos outros nomes significativos, como o Flow, Marcello Gugu e até o Emicida; quais foram as batalhas que mais te marcaram?
PRO-J – Ah várias cara, com o proprio Emicida, a primeira vez que batalhei, venci o primeiro MC e depois batalhei com o Emicida, ele ja tinha sido campeão lá varias vezes e a fama ja se espalhava, confesso ter ficado meio cabrero, mas venci a batalha e logo na primeira vez que disputei a Santa Cruz, eu fui campeão.
Lembro muito de uma batalha contra o JL, outra contra a Flora Matos e também minha derrota na Liga dos MCs em 2007, perdi ali, ficou marcado, valeu de aprendizado.


XXL – Como foi o processo criativo que você tocou com AG Soares, produtor do Pentágono?
PRO-J – Com ele aprendi a produzir, com ele aprendi muita coisa sobre flow e interpretação.
Ele fazia as bases de acordo com as ideias que criavamos, e eu escrevia e gravava, ele mixava, tudo bastante regrado e ao mesmo tempo natural, só soltamos nas ruas as musicas que realmente acreditavamos, como Eu canto, Avoadão, Acabou e Lauzane.


XXL – Uma das suas principais parcerias é com o DJ Caíque, que tem sido um dos maiores produtores da cena nacional há muitos anos; como começou o trabalho com ele?
PRO-J – Ele me convidou pra participar da mixtape dele, mesmo sem me conhecer, nunca tinhamos nos visto nem conversado, colei na casa dele, pirei nas bases e na forma dele trampar. Ficamos proximos a partir daí.
Quando eu fui gravar meu primeiro EP, eu o procurei pra ele fazer a mixagem, e ele ofereceu de graça pra mim, disse que seria forma de retribuir o fato de eu ter gravado com ele mesmo sem conhecer. Eu realmente nao tinha dinheiro e aquilo veio como uma luz, aceitei, e hoje depois de 4 discos lançados, ele continua fazendo a mixagem, e hoje recebe sua porcentagem, alem de ter se tornado um grande amigo, como parte da família mesmo.


XXL – Você conseguiu trazer para o rap um público mais novo, que antes não conhecia a cultura, apesar de ter um estilo clássico de rima; o que você acha que fez com que essas fronteiras fossem aumentadas?
PRO-J – Eu sinceramente, procuro nao pensar nisso, nao tenho um publico alvo, eu simplesmente faço minhas músicas, da mesma forma que eu fazia 10 anos atrás.
Acho que planejamento é necessario, mas em excesso atrapalha a arte.
Ao mesmo tempo sei de minha responsabilidade, me entreguei pra ouvir de peito aberto o rap, quando eu tinha 15/16 anos. Sei que isso mudou totalmente minha vida e sou muito feliz com isso, entao se esses adolescentes hoje, estao ouvindo minhas músicas, tenho oportunidade de fazer parte da vida deles, assim como Racionais, Facçao, Mv Bill, RZO, fizeram e fazem parte da minha vida, devo muito sobre quem eu sou para os meus ídolos, e procuro ser eu mesmo, e torço pra que esse eu mesmo, seja uma boa referência para os meninos que tão ouvindo meu som.


XXL – Seu trabalho na Internet é recordista em muitos sentidos, primeiro lugar no MySpace, mais de cem mil seguidores no Twitter, mais de quinze milhõesde visualizações no YouTube; como você conseguiu essas marcas impressionantes? Teve alguma assessoria profissional ou foi algo seu?
PRO-J – Foi como eu disse anteriormente, nao rola planejamento pra isso, simplesmente eu era muleque que fazia seus raps, de repente chegou a Internet na minha casa (bem tarde, eu ja tinha uns 20 anos) a partir daí eu fazia 3, 4 musicas por semana e soltava na net.
Algumas pessoas acham que faço música demais hoje em dia, mas antes eu fazia bem mais hahaha
Simplesmente amo fazer música, e acompanho de perto pra ver até onde ela tá chegando.
Assim eu contabilizo todos os números, e assim, sozinho aprendi a fórmula correta para o meu trabalho. Para o MEU trabalho, nao significa que minha fórmula da certo pra outro MC, assim como as fórmulas de outros MCs não dariam certo pra mim.


XXL – Recentemente você gravou seu primeiro DVD, em Curitiba, com a casa lotada, mais de quatro mil pessoas; fale sobre essa oportunidade; houve muita preparação? Quem está produzindo?
PRO-J – Muita dedicação, meses de trabalho até chegar o dia do show, e agora teremos meses de trabalho até estar finalizado pra ir pras ruas.
A produtora responsável é a Pexera, o diretor é o Luringa. Acredito muito no trabalho deles, as imagens que eu vi estão incríveis, e o áudio também, agora é mandar bala na edição pra chegar bonito nas ruas.


XXL – Sabemos também que houveram participações de peso, quais foram? Quem você mais curtiu?
PRO-J – Rashid, Emicida, Terceira Safra, Dj Caique, Marechal, Kamau, Max BO, Karol Conka, André Maini e Flora Matos.
Impossível dizer qual foi mais maneiro, todos foram especiais para o evento, o show foi incrível, só posso agradecer essas pessoas que falei, e todas as outras envolvidas, Pexera, Sallve, Positive, minha equipe e todo mundo que correu muito pra isso dar certo.


XXL – Quando o novo DVD vai estar nas ruas? Já tem um nome?
PRO-J – O nome do DVD é REALIZANDO SONHOS. Deve estar nas ruas em março ou abril de 2012.
To correndo muito pra vender no mesmo preço em que eu vendo as mixtapes, por 5 reais, dessa forma ele será feito também da mesma maneira, caixa de envelope como são as mixtapes. E espalhar esse trabalho como nunca fiz antes com nenhum outro.
Pensamos em 10, 20 mil, até 50 mil copias se DEUS permitir.


XXL – Quais são suas expectativas para o rap em 2012?
PRO-J – Minhas expectativas são as melhores possíveis, ao menos de minha parte todos podem esperar muito trabalho, muito suor, muita dedicação no meu amor declarado e verdadeiro por essa cultura.
Novas portas serão abertas, muitas pessoas tão trabalhando por aí, que DEUS abençoe aqueles que fizerem por merecer suas bencaos, daqui nossa parte é correr atrás e buscar levar a mensagem pras pessoas que estiverem dispostas a escutá-la.


XXL – Deixe seu salve final
PRO-J – Meu salve fica aqui, um abraço pra geral da XXL, e quem nao conhece o Projota ainda, fica a vontade, os CDs estão todos livres pra download ai pela internet, fica a vontade e leva pra casa, espero que gostem.
Quem já conhece, obrigado pela força que sempre chega pra nois, e fiquem com DEUS, muita luz pra geral.
Foco, Força e Fé.


Créditos: XXL.com.br

sábado, 24 de dezembro de 2011

Eminem em entrevista ao 'The Tanning Of America' (Parte 2)

Essa é a segunda e última parte da entrevista que o Eminem deu ao livro de Steve Stoute, 'The Tanning Of America'. (Se você ainda não leu a primeira parte, clique aqui)

Eminem fala sobre o racismo que ele recebeu por ser branco, sobre quando começou a ser aceito no mundo do Hip Hop, sobre o risco de se apresentar com Elthon John no Grammy, entre outras coisas. Vale a pena conferir.

SS (Steve Stoute): Você já sofreu racismo? Pelo motivo de ser branco, e o rap ser algo de negros?

Eminem: Sempre houve um pouco disso. Havia pessoas que diziam para eu não fazer isso, porque sou branco, e essas coisas. Mas eu também tive minha equipe e pessoas que me apoiavam, com o Proof sendo o maior deles. Naquela época, se eu estivesse reprimido, eles estariam lá para me ajudar a seguir em frente.

SS: Quando você sentiu que estava superando isso, que crianças negras e brancas gostavam de você, e quando você percebeu que estava atravessando todos os padrões?

Eminem: Bem, obviamente eu sabia as pessoas iriam fazer piadas e tudo o mais. Eu senti essa ‘Superação’ até mesmo em uma menor escala, antes do Dr. Dre, antes da fama, quando eu ia fazer shows em lugares como o Hip Hop Shop, quando eu fazia Freestyle ou batalhava com alguém. Eu era a única pessoa branca que ganhava aceitação. E apenas por ir lá, e ter aceitação das pessoas, eu pensava “Wow, isso pode ser possível”. Eu estava começando a ganhar respeito das pessoas que na verdade fizeram o Hip Hop.

SS: Essas pessoas eram principalmente negras, e talvez apenas algumas pessoas brancas. Mas quando você começou a trazer públicos diferentes, você percebeu? Me parece que você sentiu que sua experiência – por ser pobre e branco, vindo do nada – era a mesma das crianças de cor que vieram do interior da cidade. Você sabia que estava unindo as crianças por algo em comum, maior que o rap, algo da alma?

Eminem: Bom, eu adoraria dizer que eu tive esse plano desde o começo. Mas eu certamente nunca saberia que iria equivaler a isso. Eu me lembro de ter dito às pessoas a minha volta, mesmo antes de ter assinado com o Dre, cara, que se eu conseguisse ter um CD com status de ouro, e ser respeitado pelos MCs da área, seria um sonho pra mim. E ter dinheiro suficiente para sobreviver. Mas em relação à juntar culturas, eu não posso dizer. Digo, para o meu primeiro álbum, The Slim Shady LP, havia muitas piadas. Nesse álbum, eu me deixei fluir. Naquele álbum, eu zombava demais de mim mesmo, mas aquilo veio batalhando, pensando “O que esse cara vai dizer de mim?”; mas depois dele pensar isso, eu dizia sobre mim mesmo. Eu trouxe isso ao meu primeiro álbum. E havia aquela mentalidade oprimida, eu vindo do fundo do poço e dizendo algo sobre minha perspectiva. No mesmo tempo, certas músicas eram agressivas, o sentimento do meu descontentamento com o mundo. Eu senti que o mundo cuspiu em mim, então eu vou cuspir nele de volta. Havia um pouco de tudo nas músicas daquela época. Mas quando eu pensei que realmente tudo estava vindo junto, foi quando eu comecei a fazer shows e vi pessoas negras, brancas, pessoas de todas as raças em um puto mar de gente. Mas também por volta da época em que eu fiz “White América”, eu pensava “Agora estou na América central fazendo barulho”.

SS: Qual foi o maior risco que você tomou na carreira?

Eminem: Me apresentando com o Elthon John no Grammy.

SS: O dueto em ‘Stan’?

Eminem: É, provavelmente esse foi o maior risco pra mim. Para aquela época, 2001/2002.

SS: Você estava colocando tudo em risco, tudo o que havia construído.

Eminem: E ele também. Ele estava correndo um risco também. Haviam pessoas que diziam que eu era um rapper homofóbico. E também havia o público dele, seus fãs, e como eles poderiam ter reagido. E alguns dos meus (fãs) disseram “Ei, você vai para o palco com esse cara gay?”. Agora, isso não iria parecer algo louco, mas se você voltar 9 ou 10 anos atrás, era.

SS: Agora que você mencionou isso, Hip Hop não era tudo, inclusive culturalmente. Não tenho certeza se abraçava a homossexualidade. Talvez a cultura do Hip Hop seja mais aberta agora, mas não era há 10 anos atrás. Mas isso talvez porque você tomou o risco de abrir a conversação porque todos pareciam mais relaxados depois do dueto. Eu acho que você vem mudando o modo de pensar da América desde o começo de sua carreira. E eu me pergunto, que conselho você daria aos comerciantes hoje, sobre o que eles deveriam estar falando em relação à cultura e talvez, no que eles deveriam prestar atenção sobre para onde a cultura está indo?

Eminem: Bom, vou começar dizendo que eu não sou realmente grande na política dos negócios para dizer coisas certas para as empresas Americanas. Algumas das influências do Hip Hop nos comerciais são bacanas, especialmente quando você senta e pensa no quão grande o Hip Hop se tornou. Mas alguns conteúdos nos comerciais são cafonas. Eu assisto os canais SportsCenter e NFL bastante, o dia todo. E às vezes irrita ver comerciais que parecem que foram escritos por caras velhos tentando serem legais. Mas também é a hora que você olha para o passado e aprecia o quão grande o Hip Hop se tornou. Algumas das pessoas que comandam o show e fazem os comerciais, provavelmente eles nem mesmo escutam rap, porque não é a escolha deles em relação a gosto musical, mas eles provavelmente ouviram muitos raps incríveis indiretamente, e eles não percebem o quanto isso afeta a eles.

SS: Ou a força da influencia do rap. Mas tentar usar uma linguagem informal, e expressões do rap, não é real.

Eminem: Não é real, não é autêntico. Pegando algo do rap não sabendo nada sobre aquilo. Mas alguns dos marketing atuais são reais e autênticos. Mas eu penso que as escolhas importam mais - Quem você tem para fazer o comercial, sobre o que é o comercial. Você tem que fazer passo a passo.

SS: Há algo mais para vir do Hip Hop e sua influência?

Eminem: Quando você olha para o passado, e vê o quanto o Hip Hop cresceu, é quase o ponto em que você pensa “É isso aí!”. Mas lembrando quando eu estava assinando com o Dre, e até mesmo na época de ‘Marshall Mathers LP’, quando eu estava sentindo o peso de tudo, eu não imaginava que o Hip Hop se tornaria algo maior. Olhe o quão grande o Jay-Z e outros rappers são. Dez anos atrás, não imaginava que o Hip Hop se tornaria algo maior. Cinco anos atrás, eu não imaginava que isso se tornaria maior. Cinco anos depois, aqui estamos, e o Hip Hop continua crescendo. E vai crescer ainda mais.

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Fonte: Shady Brasil

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Eminem da entrevista ao "the tanning of américa" parte 1

Eminem foi entrevistado pelo executivo musical Steve Stoute para seu primeiro livro “The Tanning Of América: Como o Hip Hop Criou uma Cultura que Reescreveu as Regras da Nova Economia” (em tradução livre), que foi lançada em 8 de Setembro de 2011 e se tornou o best seller #1 do The New York Times. Eminem fala sobre suas experiências com o Hip Hop, sobre a comercialização do gênero, entre outras coisas. Eu decidi traduzí-la, e é uma entrevista bem bacana, vale a pena ler.

Mais uma vez, decidi separá-la em duas partes, pois é bem grande.

Leia a primeira parte da entrevista, que aparece no epílogo do livro, abaixo:


SS (Steve Stoute): As pessoas dizem que o filme 8 Mile é responsável por ensinar as pessoas a história do Hip Hop.

Eminem: Eu não sei o quanto 8 Mile ensina as pessoas sobre a história do Hip Hop, mas algumas pessoas mais velhas vieram até mim depois do filme dizendo: “Eu vi seu filme. Eu acho que entendo o Hip Hop agora!”. Se o filme teve um efeito não-intencional de fazer as pessoas respeitarem ou entender mais a música, isso é ótimo.

SS: Marshall, vamos começar com o tema ‘inspiração’. Qual o primeiro artista de Hip Hop que inspirou você ao rap e quando você descobriu que tinha o dom de contar histórias?

Eminem: Ice-T foi um dos primeiros rappers no qual eu realmente escutei, quando eu tinha 10 ou 11 anos. Meu tio me trouxe fitas cassetes do Ice-T e o ‘The Breaking Soundtrack’ tinha a faixa ‘Reckless’. Foi quando eu comecei a me interessar. Depois, eu fiquei ligado no Run- DMC, nos Fat Boys, e em seguida, os Beastie Boys apareceram. E os Beastie Boys meio que me mostraram que talvez isso seria possível (Ser um rapper). Depois, LL (Cool J) provavelmente me fez querer fazer isso. Quando jovem, eu queria ser como ele. Tipo, literalmente eu achava que eu era ele. Foi quando eu comecei a escrever raps, e esses raps soavam como os dele. Eu posso ter dito isso antes, mas foi ele quem realmente me fez começar com isso e me fez pensar ‘Wow, eu consigo colocar algumas palavras juntas, elas soam como ele, mas eu sou capaz de rimar essas palavras e dizê-las em um ritmo similar ao dele.’ Mas quando eu comecei ficar mais velho, eu lembro de ter pego uma beat do Doug E. Fresh da música ‘Play This Only At Night’.

SS: Certo, aquilo era conveniente. Porque naqueles dias, se você quisesse escutar um rap na rádio, a única coisa que poderia fazer era escutar e gravar as músicas às duas da manhã. Você iria escutar a um Hip Hop underground no meio da madrugada porque era a única hora em que essas músicas seriam tocadas. E algumas pessoas iriam dormir e deixariam o rádio ligado gravando as músicas a noite inteira.

Eminem, É, eu era uma dessas pessoas. E a gravação do Doug E. Fresh foi de uma dessas noites, quando eu caí no sono enquanto estava gravando. [...] Havia algo em ‘Play This Only at Night’ que me fez querer contar uma história em cima dela.

SS: Quando você soube que havia algo que queria contar? Ou isso partiu de uma experiência particular?

Eminem: Houve uma história real que aconteceu quando eu estava vivendo no lado leste de Detroit com minha mãe, onde eu passei a maior parte da minha adolescência. Havia um vizinho que aparentemente tinha pego seu melhor amigo com sua namorada, e ele estava batendo na bunda dela. Minha janela do segundo andar era da mesma altura da janela deles. A cortina estava aberta, então eu podia ver tudo. Ele acabou com o cara e depois foi bater na mulher. Eu não sei como tudo terminou, exceto por minha mãe ter chamado a polícia. Na noite seguinte, e não estou inventando isso, o casal vizinho que morava do lado oposto de minha casa fez exatamente a mesma coisa.

SS: Todos tinham casas com dois andares, as casas eram grudadas umas às outras, com o mesmo número de andares?

Eminem: Exato. E eu estava olhando pela janela e pensando se eles não estavam fazendo exatamente a mesma coisa. Mas os dois estavam nus. E ele bateu na mulher de dentro de casa até o meio da rua. Alguém chamou a polícia e o cara foi pra cadeia, e foi assim que aconteceu. Então, eu fiz uma história baseada nisso. Mas essa história pode ter sido uma versão anterior de ‘Love The Way You Lie’ por um lado, por causa do tema. Mas nessa, eu me tornei o herói no final. Minha mãe tinha um shotgun no armário e eu fingi que era minha no rap. No final da história, eu terminei atirando no cara para proteger a garota a salvar o dia. Eu fiz rap sobre todas essas coisas que eu vi acontecer. A história do começo ao fim, e eu me tornando o herói. Essa foi a primeira vez que eu descobri que eu podia rimar palavras e contar uma história na mesma música.

SS: E você não olhou pra trás depois disso. Então, como você se manteve importante? Você vem fazendo isso durante 12 anos, e o que é importante pra você para não perder sua relevância?

Eminem: A principal maneira de eu continuar relevante, é estudar o jogo, assistir o que está acontecendo... Assistir o que os outros artistas estão fazendo. Por quê? Primeiro, para ficar atualizado e soar atualizado. E segundo, para ter certeza de que eu não pareço com qualquer outra pessoa ou com qualquer outra coisa que está por aí. Então, eu quero saber o que está acontecendo. Eu só assisto e escuto. E também, eu acho que apenas tentar ser competitivo comigo mesmo e tentar competir com o que está por aí me mantêm importante. E, acima de tudo, por apenas fazer parte disso. Por que eu amo o Hip Hop.

SS: Houve um momento em que você realmente impressionou a todos quando você fez o remix de “Dead Wrong” do B.I.G., e todos diziam “Nossa, esse cara é incrível!”. Como você se sentiu?

Eminem: Eu lembro da responsabilidade que eu tive naquela música, e lembro não entender isso, porque algumas rimas levam mais tempo que outras para serem escritas, e essa em particular foi rápida. Não levou esse tempo todo para ser escrita – era algo sobre a batida, entrando lá e estando empolgado por estar em uma música com o B.I.G., então não levou tempo algum. Eu não entendi por que as rimas que levam bastante tempo para serem elaboradas não são percebidas e essa foi. Não que eu estava com raiva de que essa teve atenção ou aceitação.

SS: É aí que o Hip Hop é foda.

Eminem: Aquele era, definitivamente uma época foda do Hip Hop.

SS: Quando você fez isso, eu senti que os caras do Hip Hop Underground olharam pra você e disseram “Ei, esse cara é foda.”. E então, eu me perguntei o quão importante aquilo foi para você, alcançar aquele ponto de não ser considerado ‘mais um rapper branco’ como Vanilla Ice ou MC Serch. O que você teve que fazer para não ser colocado nessa categoria?

Eminem: Primeiro, eu curto bastante o MC Serch.... Eu amo 3rd Bass antes de mais nada. Eu não conseguia descobrir quem eu gostava mais. Pete Nice ou Serch. Havia algo na voz e no delivery do Serch que eu realmente gostava. Os dois tinham seu próprio jeito. Mas, de qualquer forma, mesmo achando que elas eram fodas pra caralho, eu senti, em primeiro lugar, que eu não queria parecer com ninguém, deixar em paz qualquer outro rapper branco. Eu apenas quero ser eu mesmo, ser o melhor sendo eu mesmo e dar o máximo de mim. E sabe, voltando ao passado, eu sendo competitivo, e indo batalhar com outros rappers, e fazendo esse tipo de coisa, me ajudou muito a ser eu mesmo. Certamente, isso ajudou em questão de credibilidade, e ajudou no meu desenvolvimento como um rapper.



Fonte: Shady Brasil